Rodrigo Martins

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Ser Importante Ou Famoso?

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Este é um dos pensamentos mais legais que já vi sobre este tema. Em uma correria do nossos dias, vejo muitos querendo ser famoso e tal, quando em uma breve realização, e pronto. Mas, vejo que a importancia que damos ao ser famoso é em demasia grande. Quando podemos olhar e viver para ser simples e importante. Nesse sentido, transcrevo abaixo um texto muito bom para esta reflexão do filosofo brasileiro Mario Sergio Cortella.

Destaco para o inicio desta boa leitura:

Aliás, felicidade não é um estado contínuo,
felicidade é uma ocorrência eventual.
por Mario Sergio Cortella

Segue a reflexão completa.

Felicidade é uma vibração intensa, um momento em que eu sinto a vida
em plenitude dentro de mim, e quero que aquilo se eternize.
Felicidade é a capacidade de você ser inundado por uma alegria imensa
por aquele instante, por aquela situação. Aliás, felicidade não é
um estado contínuo, felicidade é uma ocorrência eventual.

A felicidade é sempre episódica. Você sentir a vida vibrando, seja num
abraço, seja na realização de uma obra, seja numa situação, por exemplo,
em que seu time vence, seja porque algo que você fez deu certo, seja porque
você ouviu algo que você queria ouvir. É claro que aquilo não tem
perenidade, aliás, a felicidade se marcada pela perenidade seria impossível.
Afinal de contas nós só temos a noção de felicidade pela carência.

Se eu tivesse a felicidade como algo contínuo, eu não a perceberia. Nós só
sentimos a felicidade porque ela não é contínua. Isto é, ela não é o que
acontece o tempo todo, de todos os modos. A ideia de felicidade sozinha ela
teria que ter uma questão anterior: se é possível viver sozinho. Que como a
felicidade pelo óbvio só acontece com alguém que viu ou está e viver é viver
com outros e outras, como não é possível viver sozinho?

A possibilidade da felicidade isolada, solitária é nenhuma. Pra que eu possa
ser feliz sozinho eu teria que ser capaz de viver sozinho. Mesmo a literatura,
como Robson Crusoé, por exemplo, que lida com um homem que está só, mas ele
está só depois de ter vivido com outros. Ele trás as outras pessoas na sua
memória, na sua história, no seu desejo, no seu horizonte. Não há, não há
história de ser humano em que ele tenha sido sozinho da geração até o término.
Se assim não há, não há possibilidade de se ser feliz sozinho.

Nos últimos 50 anos do século XX, nós tivemos mais desenvolvimento tecnológico
do que em toda história anterior da humanidade. Todos os 39.950 anos anteriores,
desde que o homo-sapiens era sapiens, sapiens sapiens na classificação científica,
foram menos do que os 50 anos finais do século XX. Seria a redenção da humanidade.
Uma questão: as questões centrais permaneceram. Quem sou eu?, pra que tudo isso?,
porque eu não sou feliz apenas quando possuo objeto?, porque o mal existe?, porque
que eu não tenho paz em meio a tanta convivência? Nesta hora, não só a religiosidade,
ela sofreu um revival, como a filosofia passou, de novo, a ser interessante. E
aí claro, a filosofia como autoajuda, a filosofia como autoconhecimento, a filosofia
como auto capacidade, a filosofia como prática sistemática. E de repente a gente
tem no final do século XX, em vários lugares do mundo e no Brasil também, casas
pra estudar filosofia; procura de cursos de filosofia.

Nós somos o único animal que é mortal. Todos os outros animais são imortais. Embora
todos morram, nós somos o único que além de morrer, sabe que vai morrer. Teu
cachorro tá dormindo sossegado a essa hora. Teu gato tá tranquilo. Você e eu
sabemos que vamos morrer. Desse ponto de vista, não é a morte que me importa,
porque ela é um fato. O que me importa é o que eu faço da minha vida enquanto
minha morte não acontece, pra que essa vida não seja banal, superficial, fútil,
pequena. Nesta hora, eu preciso ser capaz de fazer falta.

No dia que eu me for, e eu me vou, quero fazer falta. Fazer falta não significa ser
famoso, significa ser importante. Há uma diferença entre ser famoso e importante.
Muita gente não é famosa e é absolutamente importante. Importar; quando alguém me
leva pra dentro, importa. Ele me porta pra dentro, ele me carrega.

Eu quero ser importante. Por isso, pra ser importante, eu preciso não ter uma vida
que seja pequena. E uma vida se torna pequena quando ela é uma vida que é apoiada
só em si mesmo, fechada em si. Eu preciso transbordar, ir além da minha borda,
preciso me comunicar, preciso me juntar, preciso me repartir. Nesta hora, minha
vida que, sem dúvida, ela é curta, eu desejo que ela não seja pequena.

Por Mario Sergio Cortella

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